Critica da Liberdade abstracta N° 5 - B

     Entre as duas formas de consciencia ha uma unidade: a consciencia intima, como a consciencia << publica >>, pertencem à consciencia de classe.

      Todavia, existe tambem uma diferença que vai até à contradição. Em particular, a sua relação comporta uma parte de acaso; com a burguesia, e pela dissolução de toda a comunidade, aparecia << o acaso das condições de vida para o individuo... A concorrencia e a luta dos individuos, entre eles, são necessarias para produzir e desenvolver este acaso enquanto tal >>. Portanto, por um lado, o individuo ( enquanto que consciencia publica e social ) fica mais e mais rigorosamente determinado pela classe. Simultaneamente, a vida privada, a consciencia << privada >> destes seres humanos mostra-se cada vez mais flutuante, indecisa, decomposta. Aqui reside o aspecto da relação complexa do individuo à classe e ao conjunto social, no mundo moderno.

        Em 1845, Marx e Engels escreveram:

        -- A primeira vista, os individuos são, sob o dominio da burguesia, mais livres do que anteriormente, porque as suas condições de vida são acidentais, para eles; mas, na realidade, estão menos livres , pois sobejamente subordinados a uma potencia objectiva.

       Formula admiravel, que ganhou um sentido e uma verdade dramatica!!!

       Uma das causas mais profundas da angustia , que atormenta o individuo moderno, não é apenas a incerteza quanto às condições de vida. Não sera, sobretudo, a contradição entre o acaso ( reinante nestas condições ) e o caracter estactico, rigido, cada vez mais determinado e opressivo dos quadros gerais da sociedade?

       Temos, assim, um outro aspecto que surge: uma definição diferente da Liberdade-abstracta -- colocando-a em condições sofridas e vividas da existencia. Seja, esta Liberdade-abstracta do individuo não é, senão, uma maneira de beneficiar do " acaso " na vida. Logo, corresponde à irracionalidade desta vida -- ao facto que a lucidez mais alta ( do individuo, no mundo moderno ) não reside numa arte-de-viver; mas, na arte de saber beneficiar das circunstancias!!!

 

( a continuar na proxima Quarta-feira, dia 7 de Março de 2012, em: " N° 5 - C " ).

publicado por filosofia-xauteriana às 17:31 | comentar | favorito