Ora vejamos... N°2

      Antes de mais, devemos principiar repudiando a noção abstracta dum << determinismo >> mecanico, rigido; e, especialmente, não confundirmos o << determinismo >> com a << determinação >> -- que designa o " em quê " e " por quê " de tudo ser aquilo que é. Não existe << Liberdade >> ilimitada, infinita, absoluta. Toda a consciencia é determinada. Por quê? Pelo seu grau de conhecimento!

      Hegel mostra-nos, em seguida, que todas as teorias ( sobre a Liberdade ) são formas historicas, << momentos >> da consciencia humana -- todos validos, enquanto tais, mas todos ( igualmente ) determinados, limitados e votados a serem ultrapassados pelo futuro.

      Como exemplo, principiemos referindo-nos à Liberdade do << Senhor >>, do possuidor de escravos, descrito e analisado em " Fenomenologia do Espirito " ... ( Marx, na " Santa Familia ", disse que, apesar dos seus excessos especulativos, encontramos nela << em varios pontos, elementos de caracterização real das condições humanas >> ).

      O << Senhor >> acreditando-se independente, é com vaidade que se proclama um << homem livre >>.

      Concretamente, o que significara isto?

      Significa que tendo reduzido ( ele, ou os seus antepassados ) outros homens à escravatura, não esta obrigado às tarefas do " trabalho ".

      Ora, esta ligação com a natureza, esta relação ( activa e necessaria ) que fundamenta a possibilidade de se viver humanamente, o << Senhor >> deixou-a para o escravo -- outorgou-se a alforria desta lei, desta obrigação. Portanto, ele não tem mais ligação ( alguma ) com a natureza -- apenas uma relação << médiat >>; o escravo é o seu meio, o seu instrumento, o intermediario que se interpõe entre ele e a natureza. Assim, é o escravo quem traz ao << Senhor >> ( para que este disfrute ) os frutos do trabalho, assim como os bens arrancados à natureza.

      A este disfrutar ( prazer ) sem contrariedade, o << Senhor >> da-lhe o nome de " a sua Liberdade ". Com efeito, é uma liberdade; uma forma de dominio sobre a natureza -- atravez do escravo.

      Todavia, que se escondera nesta Liberdade?

      Obrigatoriamente, que leva ela até ao << Senhor >>?

      Que " determinações ", escondidas à consciencia do << Senhor >> ( ou semi-escondidas ) estarão implicadas?

 

   ( eis aquilo que iremos vêr, na proxima Sexta-feira, dia 16 de Dezembro de 2011, em " N° 3 " ).

 

 

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publicado por filosofia-xauteriana às 00:32 | comentar | favorito