Critica da Liberdade-abstracta N° 14 - D

      O trabalho, criador de valor, não tem valor. Unicamente uma mercadoria tem um valor!

      O trabalho, enquanto que atributo dum ser humano, não pode ser separado deste ser humano, nem destacado, nem se alienia! Aquilo que se alienia e se vende é um aspecto separavel do trabalho concreto, é um atributo que se pode destacar do individuo trabalhando, considerar-se abstractamente e realizar-se dentro da abstração feiticista da mercadoria e do valor da mercadoria: a força de trabalho e o tempo de trabalho.

      Entretanto, o capitalista recusa vêr este processo. Ele obstina-se no seu ponto de vista -- no seu pensamento, ele comprou e pagou o trabalho pelo seu justo valor.

      -- Na expressão: valor do trabalho, a ideia de valor não foi unicamente apagada; transformaram-a no seu contrario. Ela é uma expressão tão imaginaria como esta outra: valor da terra. Mas estas expressões imaginarias sairam das proprias condições da produção ( " Kapital, tomo III, pagina 236 ").

      Significam precisamente que o trabalho não tem mais << valor >> humano, não sendo mais do que um << valor >> mercantil: o valor duma mercadoria, na qual conta unicamente a quantidade -- o valor daquilo que não tem valor!

      Assim, o capitalista crê ter comprado o trabalho e jura, pelo seu deus-do-capital, que ele é honesto. Porque não?! Quando, efectivamente é pelo jogo das leis internas do capitalismo que ele comprou e pagou um tempo de trabalho durante o qual o trabalhador produz mais do que o seu salario! Seja: mais valor social e mercantil do que é necessario para manter a sua força de trabalho.

      A ilusão do capitalista é, assim, singularmente agradavel: ele acredita ter recebido do trabalhador, el total << liberdade >>, um produto; isto sem compreender ( e ele recusa-se a compreender!!! ) que extorquiu ( ao trabalhador ) um tempo de trabalho suplementar, uma mais-valia.

      O capitalista paga o salario em dinheiro. Acredita ter trocado << livremente >>, justamente, em completa igualdade, dinheiro contra trabalho.

      -- A forma do salario faz desaparecer a divisão do dia-de-trabalho em: trabalho necessario e em sobre-trabalho, em trabalho-pago e não-pago... Todo o trabalho de escravo apresentava-se como trabalho não-pago. Com o assalariado acontece o inverso: até o sobre-trabalho ou o trabalho não-pago aparece como trabalho-pago.

      E Marx prossegue:

      -- Desta forma, o salario esconde a real relação, fazendo aparecer o contrario. Serve, assim, de base a todos os conceitos juridicos... a todas as ilusões liberais...

 

( a continuar na proxima Segunda-feira, dia 11 de Junho de 2012, em: " N° 14 - E " ).

 

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publicado por filosofia-xauteriana às 02:25 | comentar | favorito