30
Mar 12
30
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 8 - A

      Com os produtores isolados e sendo concorrentes ( entre eles ), nada os teria ligado senão o mercado. No mercado, estabeleceu-se ( exteriormente à vontade destes produtores ) uma << evaluação >> dos seus produtos ( segundo o tempo de trabalho social-medio, que representa ); assim, os seus produtos separavam-se deles, tomavam uma especie de vida-propria, com as suas << leis >> independentes da consciencia e da vontade: as << leis economicas >> do capitalismo.

      Em primeiro lugar, a << lei da oferta e da procura >>, arruinando aqueles concorrentes que as flutuações do preço e do mercado não favoreciam.

     Que acontece, então?

     Os << produtores >> capitalistas não têm consciencia senão da propria << iniciativa >> individual. Vêem a sociedade como um conjunto de iniciativas. Para eles, << normalmente >>, do conjunto das iniciativas deveria sair conjuntamente um interesse-geral, uma harmonia economica e social.

     As crises? As falencias? Erros nas iniciativas, consequencia das incapacidades individuais!... Ou, ainda, fenomenos << anormais >>, tais como as doenças ou os fenomenos meteorologicos destrutores. Tal, mostra que nada compreendem do funcionamento real do regimen da produção mercantil, no qual << o conjunto do trabalho social se afirma como a troca-privada de produtos individuais do trabalho >>. Eles não concebem nem as leis-do-valor e da formação-dos-preços ( que emprestam ao sistema uma aparencia de equilibrio e uma estabilidade momentanea ), nem o futuro que, segundo o jogo das suas leis internas, arrasta o sistema para contradições ( cada vez mais profundas ), para crises e para terriveis convulções.

     Eis como nasceu a teoria do << Liberalismo economico >>, de harmonia economica espontanea.

     A lei suprema da economia seria uma lei de harmonia; e o principio supremo: << Deixai fazer! Deixai passar! >>

     Toda a obra economica, de Marx, traduz uma critica positiva, cientifica, à ideologia liberal. Reciprocamente, a falencia do liberalismo ( desde ha um seculo ) é a confirmação experimental!

( a continuar na proxima Segunda-feira, dia 2 de Abril de 2012, em: " N° 8 - B " ).

 

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28
Mar 12
28
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 7 -- E

      Evidentemente que o capitalista, o burgues do seculo XX, tem uma visão particular. Para eles, a Liberdade identifica-se com o interesse geral -- efectivamente, quando o capitalismo é ascendente, o interesse da burguesia ( e a liberdade que ela revindica ) identificam-se com o interesse da sociedade.

      Para o burgues ( do seculo XX ), a sua liberdade ( a liberdade individual ) consiste no gozo tranquilo e legitimo dos frutos do << seu >> trabalho, das << suas >> economias. Ele é incapaz de compreender até que ponto a passagem da << sua >> liberdade para a Liberdade-abstracta é criticavel -- especialmente pelo facto dele alargar até à sociedade, até à humanidade e, mesmo até ao eterno-absoluto, a << sua >> realidade e a << sua >> verdade individual.

     O capitalismo do seculo XX foi o da " livre-concorrencia ".

      A concorrencia trazia um apoio real, concreto, à liberdade abstracta!

    A evaluação do produto, valor de troca, mercadoria, formação do capital: implicam e supõema " livre-concorrencia ".

      Nos mercados, sem a concorrencia, nenhuma comparação dos produtos, formação alguma dum << valor >>, dum preço, nenhuma lei da oferta e da procura. Entre as leis de valor e o facto social da concorrencia, a implicação reciproca mostra-se completa.

 

( a continuar na proxima Sexta-feira, dia 30 de Março de 2012, em " N° 8 -- A " ).

 

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25
Mar 12
25
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 7 -- D

      A Liberdade. Ela significa a liberdade de pensar, de se exprimir, de criticar as instituições existentes; mas, tambem, morrer de fome, num canto e sem que ninguem se ocupe do individuo isolado.

     Ela significa a possibilidade ( para cada um ) de se deslocar, de << escolher >> o seu oficio e o seu lugar na divisão do trabalho social -- e, tambem, a liberdade de se enriquecer, de começar a vender e a comprar, de tudo vender e tudo comprar...

     Significou o progresso das tecnicas, as invenções sem entraves, o estimulo do trabalho material e intelectual -- mas, tambem, a entrada dos individuos nas oficinas, nas manufacturas, nas fabricas e, portanto, o trabalho parcelar, destruidor do individuo real. Mas, tambem, a cadeia do trabalhador à sua maquina, em proveito do capitalista. Por fim, tambem, a especialisação e << o idiotismo do oficio >> ( " Miseria da Filosofia " ).

      Quem não conhecera o celebre requisitorio do " Manifesto "?... << Veio, enfim,  um tempo em que tudo quanto os homens tinham conservado como inalienavel se encontrou objecto de troca, de trafico, e que se podia alienar. O tempo em que todas as coisas que até então foram comunicadas, sempre trocadas, dadas e nunca vendidas, alcansadas e nuncacompradas ( virtude, amor, opinião, ciencia, consciencia, etc. ), tudo passou para o comercio. O tempo da corrupção geral, da venalidade universal ... >>

      Tambem a burguesia << substituiu às numerosas liberdades, tão dificilmente adquiridas, à iniqua e impiedosa liberdade do comercio >>.

      Marx, varias vezes avisou os seus leitores: << Não se deixem enganar e dominar pela palavra abstracta: Liberdade! Porque não se trata da Liberdade dum individuo em presença dum outro, a realidade é  a liberdade que o capital se atribui em esmagar os trabalhadores... >> ( Discurso sobre a liberdade-de-troca, no Northern Star,em 9 de Outubro de 1845 ).

 

( a continuar na proxima Quarta-feira, dia 28 de Março de 2012, em " N° 7 -- E " ).

 

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23
Mar 12
23
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 7 -- C

       Enquanto Proudhon imaginou que uma << livre >> estipulação entre iguais tinha junto os individuos nas oficinas, Marx restabeleceu vigorosamente o sentido historico da Liberdade:

      -- Nos seculos XV e XVI a oficina encontra um apoio potente nos numerosos camponeses ( exilados dos campos porque estes, transformados em pastagens, exigiam menos braços para a cultura das terras ) que afluiram para as cidades. O aumento do mercado, a acumulação de capitais, a modificação na estrutura das classes criou enormes multidões em que os individuos, privados de todos os recursos, contribuiram para que a manufactura chegasse às condições historicas.

      Assim, descreve-nos uma parte da Historia que nunca tinha sido ainda redigida: a Historia da Liberdade. Uma Historia real, que se revelaria dramatica.

      O liberalismo acostumou-nos a conceber uma Liberdade sorridente ( um progresso facil para a Liberdade cada vez maior ), um conteudo exclusivamente positivo desta ideia. Todavia, o lado negativo ( retrospectivamente assustador ) não se separa do seu lado positivo. Seria impossiovel avançar, na civilização, sem ter dissolvido as formas medievais de comunidade e de pseudo-comunidade. Ora, as comunidades, mesmo tornadas fictivas ( e dominadas por patriarcas das cidades, pelos chefes das corporações, pelos "senhores" ou ricos proprietarios ), protegiam ainda ( numa certa medida ) os individuos. A dissolução significa o abandono dos individuos a eles proprios!  Seja, a nova realidade; uma realidade cada vez mais poderosa: o capital, enquanto força autonoma e estrangeira aos individuos humanos!!!

       A Liberdade significou o crescimento da produção e da riqueza -- a riqueza da burguesia!!!

         Mas a Liberdade tambem significa a desaparição daquela protecção-social que o individuo so pode encontrar no seio da sua comunidade.

 

( a continuar na proxima Segunda-feira, dia 26 de Março de 2012, em " N° 7 -- D " ).

 

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21
Mar 12
21
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 7 -- B

      -- Quanto menos a autoridade preside à divisão do trabalho na Sociedade, tanto mais a divisão do trabalho se desenvolve no interior da oficina -- e, esta, fica mais submetida à autoriedade dum unico. Assim, a autoriedade na oficina e na sociedade ( relativamente à divisão do trabalho ) estão em razão inversa uma da outra. ( "Miseria da Filosofia ").

        No decorrer da Idade Media, foi frequentemente ao grito de << Liberdade >> que os burgueses das cidades conquistaram ( ou guardaram ) os seus direitos a uma administração autonoma. Em seguida, a palavra altera-se para um outro sentido, um sentido novo. Não se trata mais da liberdade local, da cidade -- mas da << Liberdade >> universal e abstracta, a do individuo humano.

        Concretamente, antes de tudo, trata-se de permitir aos individuos de se libertarem da organização feudal, para entrarem numa nova organização, onde a autoriedade não pertenceria mais aos representantes da comunidade ( real ou fictiva ), mas a um << livre >> individuo, entre os demais: um possuidor de capital.

        A burguesia, recem-nascida, pretende desenvolver o comercio, as trocas. Portanto, ela reclama a liberdade comercial, a liberdade de circulação e das deslocações.

        Convem realçar que a dissolução teorica das relações feudais ( da compartimentação feudal, das barreiras à livre circulação dos individuos e coisas, etc. ) foi precedida por uma dissolução real. A palavra de ordem e a ideia da Liberdade não apareceram senão tardivamente: no seculo XVI, atravez das ideologias religiosas e da heresia protestante -- no seculo XVII, no cartesianismo; no seculo XVIII, no conjunto da filosofia.

 

( a continuar na proxima Sexta-feira, dia 23 de Março de 2012, em " N° 7 - C " ).

 

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19
Mar 12
19
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 7 -- A

      Jà, anteriormente, tinhamos focado este emprego da noção de Liberdade, aquando da luta do capitalismo-nascente contra o feudalismo.

      O Poder dos feudais desenvolvera-se no quadro das relações imediatas do homem com a terra e os outros homens: no quadro da comunidade natural, patriarcal. Quando os feudais constituiram o poder, a artimanha residiu em respeitar ( na aparencia ) a comunidade, de se apresentarem como seus membros e defensores. Mais tarde, quando emerge o poder monarquico ( forma superior e prolongamento do feudalismo ), então que o conteudo da vida social jà se tinha modificado profundamente, o Estado-real empregou a mesma tactica; pretendeu que defendia e, até mesmo fixava para a eternidade, as comunidades organizadas: comunidades de aldeia, comunidades urbanas, artisanais...

      A burguesia progressista manifestou-se, primeiramente como elemento negativo e dissolvente -- o << lado mau >> das coisas e dos homens:

      -- Foi o lado-mau quem produziu o movimento que escreveu a Historia. Se na época do feudalismo, os economistas ( entusiasmados pelas virtudes cavaleirescas, de boa harmonia entre os direitos e os deveres, da vida patriacal das cidades, do estado de properiedade da industria domestica dos campos, do desenvolvimento da industria organizada pelas corporações, etc. ) e tudo quanto constituia o mundo-requintado do feudalismo se tivessem proposto eliminar as sombras deste belo-quadro ( servos, previlegios, anarquia ), que teria acontecido? Teriam destruido todos os elementos de luta e afogado o germen do desenvolvimento da burguesia. Ter-se-ia caido no problema absurdo de eliminar a Historia...  ( " Miseria da Filosofia ", capitulo II, 7° observação ).

      A burguesia desenvolveu as forças produtoras, quebrando os limites da organização feudal. Esta ruptura produziu-se porque o << lado-mau >> desta sociedade, o seu inconveniente << foi sempre crescendo, até que as condições materiais da libertação conseguiram atingir a maturiedade >>.

      A Liberdade, para a burguesia ascendente, tem ( portanto ) um aspecto duplo: negativo e positivo.

Negativamente, a ideia de Liberdade significa a dissolução das relações feudais. Positivamente, significa a libertação da burguesia, a sua ascenção ao lugar de classe dominante.

 

( a continuar na proxima Quarta-feira, dia 21 de Março de 2012, em " N° 7 -- B " ).

 

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publicado por filosofia-xauteriana às 17:17 | comentar | favorito
16
Mar 12
16
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 6

      O exame da ideia de Liberdade mostra que esta ideia não é abstracta, senão em aparencia.

       A ideia de Liberdade corresponde, efectivamente, às condições sociais; e, neste sentido ( concreto, real, pratico ) representa uma arma, nas suas lutas. Assim, e somente assim, a ideia de Liberdade encontra uma verdade e uma dignidade mais elevada: atingindo um sentido vivo.

       A ideia abstracta de Liberdade sempre serviu como arma, na luta. Deveremos, contudo, notar que esta ideia, como toda a arma ideologica, possuiu duplo gume, podendo empregar-se em sentido bastante diferente.

        Durante a juventude, Marx jà se apercebera de tal, aquando do debate na Diète Renania sobre a Liberdade da Imprensa. Que significa a supressão da " Liberdade da Imprensa ", sem a supressão da propria Imprensa? Melhor dizer que a Liberdade se torna o previlegio da cençura e do censor.

        -- a Liberdade constitui, de tal maneira, a essencia dos homens que mesmo os seus adversarios a realizam, ao combaterem a realidade; eles querem apropriar-se daquilo que regeitam como sendo uma mera fachada da natureza humana. Homem algum combate a Liberdade; quando muito, combate a Liberdade dos outros...>> 

       E, aqueles que combatem a Liberdade dos outros, não o podem fazer sem se servirem da Liberdade, da sua ideia e da sua realização!!!

       Num certo sentido, toda a obra de Marx comenta e parafraseia este combate, acerca da ideia e da realização da Liberdade.

 

( Consideraremos a noção de Liberdade, a partir da proxima Segunda-feira, dia 19 de Março de 2012, em: " N° 7 - A " ).

 

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14
Mar 12
14
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 5 - D (conclusão)

      Com os ideologos << a consciencia de si é a substancia elevada à consciencia de si, ou a consciencia de si tomada enquanto substancia; dum atributo do homem, a consciencia torna-se em sujeito autonomo >>. Eis a caricatura metafisica-teologica do homem separado da natureza.

      A essencia desta consciencia não é, portanto, o homem; e a filosofia da consciencia tem todos os inconvenientes do idealismo especulativo de Hegel, sem atentar no conteudo positivo da sua " Fenomenologia " ( paginas 284 e seguintes ) e da sua logica.

     Apos esta critica da << critica critica >> alemã, Marx e Engels observam ( muito apropriadamente ) que a teoria francesa da Liberdade se situava num plano muito menos abstracto, intemporal e puramente teorico.

      O pensamento critico frances << é a real actividade humana dos individuos, que são membros activos da sociedade, que sofrem, sentem, pensam e agem como homens. Eis porque esta critica é, ao mesmo tempo, pratica; é a critica viva, real da sociedade existente >> ( " Santa Familia ", volume II, paginas 22 e 23 ).

 

( a continuar na proxima Sexta-feira, dia 16 de Março de 2012, em " N° 6 " ).

 

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07
Mar 12
07
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 5 - C

      Compreendemos como se chegou à actual maxima aberrante: << viver não custa, o que é dificil é saber viver >>.

     Esta relação do individuo moderno com as suas condições de vida ( e com a sua propria personalidade  ) explica perfeitamente a moda actual das teorias sobre a << Liberdade >> da consciencia de si.

      Todavia, esta moda nem sequer é nova. Jà antes de estudarem a alienação economica ( ou as condições praticas da ideologia ), Marx e Engels tinham denunciado esta moda que invadia a Alemanha e, na <<critica critica >> tomava o aspecto dum pensamento audacioso. A " Santa Familia " principio por estas palavras:

      -- O humanismo realista não tem inimigo mais perigoso do que o espiritualismo, ou o idealismo especulativo que, em lugar do homem e do individuo real, coloca << a consciencia >>.

      Assim, esta consciencia fica separada das suas condições praticas, ligando-se a uma pretensa condição humana, que despreza as verdadeiras relações. Porque a classe-dominante e a classe-trabalhadora apresentam o mesmo estado de vasio, no sentido humano desta palavra.

      Ora, enquanto a primeira encontra prazer com esta situação ( tendo-se estabelecido solidamente nela, por saber que esta alienação constitui a força do seu proprio poder e, assim, possuir uma aparencia de existencia humana ), a segunda, pelo contrario, sente-se aniquilada por esta alienação. Ela encontra-se ( como exprimiu Hegel ) << no rebaixamento e em revolta contra esta maneira de ser rebaixada ... >>.

      Portanto, não se pode senão aceitar como uma brincadeira de mau-gosto esta moda de

caracterizar situações tão diferentes pelas mesmas palavras : << consciencia >> e <<Liberdade da consciencia >>.

 Na verdade, o que encanta os ideologos, é ( unicamente ) a aparencia da Liberdade; << a liberdade espiritual, a liberdade teorica, esta liberdade espiritualista que, sobrecarregada de cadeias, imagina-se livre e encontra a sua felicidade na ideia, prejudicando toda a existencia de caracter total >>!!!     

 

( a continuar na proxima Sexta-feira, dia 9 de Março de 2012, em " N° 5 - D " ).

 

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05
Mar 12
05
Mar 12

Critica da Liberdade abstracta N° 5 - B

     Entre as duas formas de consciencia ha uma unidade: a consciencia intima, como a consciencia << publica >>, pertencem à consciencia de classe.

      Todavia, existe tambem uma diferença que vai até à contradição. Em particular, a sua relação comporta uma parte de acaso; com a burguesia, e pela dissolução de toda a comunidade, aparecia << o acaso das condições de vida para o individuo... A concorrencia e a luta dos individuos, entre eles, são necessarias para produzir e desenvolver este acaso enquanto tal >>. Portanto, por um lado, o individuo ( enquanto que consciencia publica e social ) fica mais e mais rigorosamente determinado pela classe. Simultaneamente, a vida privada, a consciencia << privada >> destes seres humanos mostra-se cada vez mais flutuante, indecisa, decomposta. Aqui reside o aspecto da relação complexa do individuo à classe e ao conjunto social, no mundo moderno.

        Em 1845, Marx e Engels escreveram:

        -- A primeira vista, os individuos são, sob o dominio da burguesia, mais livres do que anteriormente, porque as suas condições de vida são acidentais, para eles; mas, na realidade, estão menos livres , pois sobejamente subordinados a uma potencia objectiva.

       Formula admiravel, que ganhou um sentido e uma verdade dramatica!!!

       Uma das causas mais profundas da angustia , que atormenta o individuo moderno, não é apenas a incerteza quanto às condições de vida. Não sera, sobretudo, a contradição entre o acaso ( reinante nestas condições ) e o caracter estactico, rigido, cada vez mais determinado e opressivo dos quadros gerais da sociedade?

       Temos, assim, um outro aspecto que surge: uma definição diferente da Liberdade-abstracta -- colocando-a em condições sofridas e vividas da existencia. Seja, esta Liberdade-abstracta do individuo não é, senão, uma maneira de beneficiar do " acaso " na vida. Logo, corresponde à irracionalidade desta vida -- ao facto que a lucidez mais alta ( do individuo, no mundo moderno ) não reside numa arte-de-viver; mas, na arte de saber beneficiar das circunstancias!!!

 

( a continuar na proxima Quarta-feira, dia 7 de Março de 2012, em: " N° 5 - C " ).

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