Capitulo III - 1° b

      Da inter-acção da << subjectivação >> e << objectivação >> resulta o desenvolvimento humano.

      O homem existe mais subjectivamente, existindo mais objectivamente -- como conjunto de poderes, de meios ( instrumentos materiais ou intelectuais ), de produtos ( materiais ou << espirituais >> ).

      Quando Hegel desdenhou o processo objectivo ( o conteudo da consciencia, a objectivação ) para dar metafisicamente a primazia à consciencia-de-si, à negatividade absoluta, ao saber absoluto e à ideia pura, ele traiu a inspiração do seu idealismo objectivo, tendendo para o materialismo. Então a ironia objectiva, fortuita, que ele mesmo mostrara no futuro e a Historia, virou-se contre ele proprio. O sistema da subjectividade torna-se ( precisamente ) o objecto mais morto, mais fechado, o mais << reaccionario >> possivel: o Sistema! Suprimindo o futuro, a invenção e a pequisa, este sistema transmite-se pelo ensino; o Mestre espiritual tem os seus discipulos -- escravos espirituais. A Liberdade subjectiva, que primeiramente parece sustentar o sistema, acaba por suprimi-lo definitivamente!

      Este grande fracasso do idealismo e as lições que Marx daqui tirou ( estendendo a critica da Liberdade-abstracta à liberdade-filosofica e, em seguida, à liberdade politica ), entretanto, ficaram inuteis durante muito tempo.; hoje ainda, continuam procurando o termo do enigma, o segredo da Liberdade-abstracta, nos sistemas metafisicos; discute-se, interminavelmente, sobre ela e acreditam-a seriamente com o rotulo de << livre-arbitrio >> -- consideram a << subjectividade >> isoladamente,  o << eu >>, a << individualidade >>; ou seja, procuram definir a liberdade do individuo fora do tempo e do espaço, fora dos poderes efectivos que lhe são atribuidos pela vida-social e a cultura, nas quais ele vive e donde vive.

      Como se problema da Liberdade, mesmo à escala individual, não fosse um problema " pratico ", historico e social!

      Como se a questão: << Serei livre ? >> não fosse insoluvel, sempre que me considero fora de toda a actividade concreta e determinada!

      Como se a verdadeira questão não fosse: << O que é que eu posso ? >>...

      Tendo consciencia desta questão ( que é a dos meus poderes reais, das minhas possibilidades enquanto ser-humano ) jà estou passando do plano da abstracção realizada e da ficção para o plano dos problemas reais...

( a continuar na Sexta-feira, dia 22 de Junho de 2012, em " Capitulo III - 2°a " ).

 

Conhece jà as nossas outras publicações actuais? Descubra-as em:

1) http://filosofiaxauteriana.wordpress.com

2) http://polemicando.over-blog.com

                      ou

     www.polemicando.net

 

Todas as Vossas questões encontrarão resposta, em:

1) filosofia-xauteriana@numericable.fr

2) ltsc@numericable.fr

3) pablonodrade@sapo.pt

 

publicado por filosofia-xauteriana às 11:41 | comentar | favorito