CAPITULO III -2° b

      Descartes fixou a Razão tanto num objectivo pratico como teorico: conhecer as leis do universo e fundar, là, uma actividade pratica que torne o homem << mestre e possuidor da natureza >>. Nisto, Descartes tinha colocado sobre o seu verdadeiro terreno o problema da Razão e da Liberdade. Mas, o racionalismo cartesiano, limitado pela sua epoca ( pela classe da qual ele era a expressão teorica -- a burguesia ascendente ), não tinha podido prever ( ou mostrar ) que os produtos da actividade humana tomariam tambem a forma das coisas; que os resultados economicos e politicos ( desta actividade ) formariam uma especie de outra << natureza >> à qual viria a colar-se " tambem " a questão do poder e da Liberdade.

       Foi aquilo que Marx compreendeu e fez entrar no pensamento, na ciencia e na acção.

       A moeda implica ( no seu << misterio >> ) a cristalisação do " trabalho " humano numa coisa distinta e exterior; ela implica todo um mundo de produtos ( do mais singelo que poderemos aperceber até ao Aparelho-de-Estado e às mais prestigiosas ideologias ) que funciona fora de mim e fora de << nos >>.

      Compreender este universo jà é restitui-lo à consciencia e à acção; estuda-lo, determina-lo é, jà, retirar-lhe a realidade das coisas dele e vêr nele mesmo: não simples aparencias, ilusões subjectivas que o olhar dissipa -- mas objectos humanos, objectos << para nos >>. A objectividade bruta dissipada cede lugar à realidade dos produtos ( obras jà da acção ) que uma acção mais elevada e mais consciente podera orientar, dirigir, organizar.

      Esta acção tende para " a unidade " dos elementos do homem. Encontra a ligação interrompida ( em aparencia e num sentido ) entre a consciencia e o seu conteudo objectivo ( o homem e as suas condições ), o pensamento e o seu objectivo humano -- a pratica e a teoria, etc...

      Ela tende para a unidade de todos os elementos ( dispersados ) da totalidade humana.

 

( a continuar na proxima Quarta-feira, dia 27 de Junho de 2012, em: " CAPITULO III - 2° c " ).

 

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publicado por filosofia-xauteriana às 12:57 | comentar | favorito