06
Abr 12
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Abr 12

Critica da Liberdade abstracta N° 9 - A

      Consideremos este ponto essencial: A TEORIA MARXISTA ( a analise dialectica ) E, SIMULTANEAMENTE, ECONOMICA ( portanto, cientifica ) E FILOSOFICA. A analise do capitalismo não se separa duma analise da situação do homem, da consciencia, da liberdade no capitalismo.

      Da autoria de Jaurès, eis uma das suas belas paginas onde ele descreve a situação do individuo:

      -- Lembro-me quando ha uns trinta anos, jovem recem-chegado a Paris, numa tarde de Inverno da imensa cidade, fiquei tolhido por uma especie de espanto social. Pareceu-me que milhares e milhares de homens passando sem se conhecerem, como uma enorme multidão de fantasmas solitarios, estavam desligados de qualquer elo de união. E, com um certo terror impessoal, perguntei-me como é que todos estes seres aceitavam a desigual repartição do bem e do mal, como seria possivel que aquela enorme estrutura social não caisse em ruinas. Não lhes via correntes nas mãos e nos pés e, por isso, assaltou-me a pergunta: por que prodigio estes milhares de individuos, sofredores e miseros, toleram tudo por quanto passam? Oh, eu não via o suficiente: a corrente estava nos seus proprios corações que não sentiam o fardo; o pensamento estava ligado, mas por um elo que eles mesmos desconheciam...

      O idealista Jaurès, depois de ter tão bem descrito uma impressão da juventude, foi incapaz de compreender. Atribuiu ao " habito " esta ignorancia e esta separação dos individuos. Sumario psicologico! Jaurès não compreendeu que atingia, là,  uma realidade profunda e um ponto essencial do marxismo. A indiferença, a despersonalisação da estrutura social ( o isolamento dos individuossão os dois aspectos inseparaveis da mesma realidade: o capitalismo!!! Supõem-se e alimentam-se reciprocamente. Por um lado <<  um poder inumano reina sobre tudo >> ( Marx ) e, por outro lado, os individuos, ignorantes e isolados, imaginam-se livres!

 

( a continuar na proxima Segunda-feira, dia 9 de Abril de 2012, em " N° 9 - B " ).

 

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04
Abr 12
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Abr 12

Critica da Liberdade abstracta N° 8 - C (conclusão)

      A pseudo-liberdade não era senão uma liberdade alienada, mascara da alienação humana, ideologia que escondia e justificava a degradação real de todos os individuos e, sobretudo, a degradação particularmente profunda da classe submetida. Harmonia de << liberdades >> individuais significa automatismo do capital!

     A escravatura da sociedade burguesa é, aparentemente, a maior liberdade -- porque ela parece representar a independencia total do individuo. Efectivamente, este toma pela sua propria liberdade o desenvolvimento sem freio, liberto dos entraves gerais e dos entraves humanos, dos elementos " alienados " da sua vida, como a propriedade, a industria, a religião, etc... Quando, << na realidade, trata-se ( isso sim! ) do seu esmagamento total e da completa perca de humanidade >>.

      Noutros termos: a ilusão da liberdade ( no individualismo e liberalismo ) provem de que o individuo se identifica ( ou identifica a consciencia-de-si, a sua interioridade, a sua subjectividade ) com os elementos totalmente exteriores; reciprocamente, ele interiorisa ou subjectivisa estes elementos exteriores ( propriede, dinheiro, fortuna, actividade economica ) que em imediata aparencia, afastam qualquer entrave e toda a ligação com a comunidade, criando a aparencia de que esta falsa-liberdade tem um aspecto infinito.

      Donde, os individuos acreditarem na força desta ilusão: que se sente e observa em todos os paises capitalistas e, especialmente, naqueles onde o capitalismo ainda não corrompeu de maneira demasiado evidente!!!

 

( a continuar na proxima Sexta-feira, dia 6 de Abril de 2012, em " N° 9 - A " ).

 

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02
Abr 12
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Abr 12

Critica da Liberdade abstracta N° 8 - B

      A teoria segundo a qual a sociedade não é senão uma soma ( ou um conjunto ), << normalmente harmonioso >>, de livres iniciativas individuais pretende esconder a ignorancia das leis e do futuro interno do capitalismo.

      Na ilusão liberal, as leis do capital funcionavam automaticamente, fora das vontades e das consciencias. Automaticamente, este produto alienado dos homens ( o capital ) acumulava-se e o dinheiro deveria produzir dinheiro -- automaticamente, operava-se a formação da " taxa do beneficio medio " e a repartição do beneficio global ( mais-valia total ), segundo o indice medio, entre os capitais investidos nos diferentes ramos da produção. Automaticamente, cada capitalista calcularia ( por sua propria conta ) os seus << custos de produção >> -- este calculo corresponderia, mais ou menos ( exceptuando os fenomenos << anormais >> ) às possibilidades da procura, do mercado e das necessidades: seja, a fenomenos das medias sociais, estatisticas e globais. ( " Kapital ", Tomo X a pagina 48 e Tomo XI na pagina 208 ).

      Não seria exacto dizer que num determinado momento ( nos principios do seculo XX ) o sistema << descarrilou >>, que as suas leis deixaram de funcionar. O << descarrilamento >> do sistema operou-se segundo as mesmas leis que que asseguraram, primeiramente, tanto os progressos como a sua ascenção fulgurante.

      Concurrencia significa contradição e luta -- nunca harmonia!!!

      Desta maneira é que a concorrencia produziu o monopolio, por destruição duma parte dos seus concorrente; mas o monopolio reproduziu, manteve, agravou a concorrencia. << Os monopolios fazem-se concorrencia, os concorrentes tornam-se monopolistas... O monopolio não pode subsistir senão passando perpectuamente pela luta e pela concorrencia . >> ( "Kapital", Tomo IV, paginas 273 e 274).

       A analise da << livre concorrencia >> e a critica do liberalismo confirmam, portanto, a seguinte noção essencial: a ilusão da Liberdade-abstracta corresponde à realidade duma força estrangeira às vontades e às consciencias dos homens!!!

      Exteriormente às << livres >> iniciativas dos individuos ( mes suscitando-os sem que de tal tivessem consciencia ) esta o funcionamento do " capital ", com as suas leis internas que o conduzirão para o seu proprio fim!!!

 

( a continuar na proxima Quarta-feira, dia 4 de Abril de 2012, em " N° 8 - C " ).

 

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